(Me identifiquei com o detalhe de ele estar todo vestido com aquelas roupas especiais que motoqueiros usam na chuva, mas de chinelo, porque eu certamente faria o mesmo pra não estragar meus sapatos.)
Eis que o motoqueiro resolve puxar assunto comigo. Gente, admiro pessoas que conseguem ser sociáveis até numa manhã chuvosa aguardando atendimento no Detran. Eu queria ter esse dom... mas como não tenho, eu tarra lá no meu mundinho, tentanto passar da maldita fase 109 do candy crush, e evitando olhar para os lados, já que meu nível de paciência depois de quase duas horas de espera estava no nível -3.
Olha, mesmo eu dando apenas respostas monossilábicas, o indivíduo achou de bom tom me contar que apareceu uma mulher desconhecida no zapzap* dele, me mostrar a foto da cidadã e perguntar minha opinião sobre a aparência dela, me dizer que foi casado três vezes e que as mulheres foram embora levando todo o dinheiro dele, que ele tava com um problema com o IPTU da casa dele, que ele nasceu em uma cidade do interior da Bahia, onde os irmãos ainda moram, que morou em São Paulo antes de vir pra Brasília, que ele tava ali no Detran pra resolver uma pendência com a moto dele, porque parece que o banco não deu baixa no financiamento, sendo que ele pagou todas as prestações - e pagou mesmo, porque me mostrou todos os comprovantes.
Gente, imagina se eu desse corda e usasse frases com mais de duas palavras?
*vocês não sentem um ódio mortal de quem fala zapzap? eu sinto.

